Pergunte aos seus filhos: os pais são bondosos?

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Pois é, o mês das castanhas, da jeropiga, do verão de S. Martinho, já está de saída. Este que é um mês, por norma, fresco, mas com um par de dias em que o sol desponta e nos dá uma temperatura ideal para brincar de vendedores de castanhas e realizar 1001 atividades de exterior, vai agora descansar para chegar outro mês igualmente encantador. Se em novembro impera a lenda de S. Martinho e todos os valores a esta associado, Dezembro, com a sua época natalícia, aponta no mesmo sentido. Se nestes meses vivemos impregnados de conceitos que apelam à partilha e à bondade, porque não agarrar nestas temáticas e aproveitar para nos deleitarmos aos serões em torno destes valores tão nobres.

Agarrar nas lendas, nas épocas festivas, para desenvolver conversas em família, é um bem inestimável para a felicidade familiar. Reunirmo-nos em torno de um tema, olharmos para ele por entre os olhos de cada um dos membros, é de uma riqueza enorme, pois de forma simples e divertida, podemos ver como são os nossos filhos, o que pensam e como verbalizam o que sentem.

Se por vezes, nesta árdua tarefa de educador, ficamos confusos e sem saber se o que estamos a fazer é o mais acertado; imaginem os nossos filhos. Por isso, nada melhor que falar, nada melhor que nos questionarmos constantemente, pois é através de que progredimos e nos tornamos, a cada dia, melhores pessoas, melhores educadores, e melhores famílias. Pois então, e se novembro e dezembro nos trazem a bondade e a partilha, porque não começam por partilhar as suas dúvidas?

Provavelmente as maiores interrogações das famílias prendem-se com o dar o melhor exemplo, com a transmissão destes valores, com o saber se estarão a conseguir incutir o conceito de bondade e partilha de forma adequada, se serão capazes de fazer com que se descentrem da sua visão egoísta e individual. E acima de tudo, se estarão a fazer com que estes entendam a real dimensão das coisas e saibam ser ativos, passivos quando necessário, defensores, protetores, mas também guerreiros. 

Se todas estas dúvidas nos assolam, como esclarecê-las?

Através da partilha de experiências, é claro.

Podemos perguntar aos nossos filhos o que é para eles significa a palavra bondade e partilha;

se consideram que os seus pais são bondosos;

se acham que poderiam mudar algo para que fossem mais bondosos;

se gostariam que alguém fosse mais bondoso para eles;

se sabem ser bondosos, mas também defensores dos seus direitos e deveres…

Por entre estas pequenas questões podemos encontrar grandes ideias e acima de tudo grandiosas perspetivas e formas única de sentir as coisas. É que nem sempre os nossos filhos sentem e vêm as coisas da mesma forma que nós, aliás são raras as vezes em que isso acontece, e quase sempre, com a correria diária que a vida nos imprime, esquecemo-nos de aceder ao seu mundo interno e à sua peculiar forma de pensar a realidade.

Aproveite então e conte lendas, agarre nos dias temáticos e façam tertúlias caseiras, brinquem ao faz de conta, troquem de posições. Sejam os filhos e os vossos filhos os pais e façam as coisas acontecer. Vão ver que se vão surpreender com a forma como os vossos filhos consideram a tarefa de ser pai, e talvez se surpreenderão com a posição de ser filho, de ter aquela idade… e de fazer de um acontecimento simples, um problema daqueles.

Todos nós já tivemos aquela idade e se a ela voltarmos, bem sabemos o quão difícil pode ser…

Por isso, aproveite estes momentos que cada mês nos traz e reúna a família e debata as temáticas a eles associadas de forma descontraída e divertida. São estes momentos que tornam as famílias únicas e o local onde nos sentimos seguros e confiantes. Do qual temos inevitavelmente que sair, mas para onde apetece sempre voltar.

 

Fonte: pumpkin.pt

Data: 21 Out 2016

Vida de adolescente

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Muito do meu trabalho é passado a escutar jovens. Esses seres  que muitas vezes são apelidados de mal educados, de inúteis, e de tantos outros adjectivos que não abonam a seu favor, passam um mau bocado, ai isso passam.

Uma família com um adolescente em casa é uma família que necessita de se reinventar. A infância já passou, e levou consigo todo o encantamento da vida, e surgiu uma fase mais escura, negra, que expôs uma série de realidades mais complexas e difíceis. Esta é uma fase delicada na vida da família.

Não é simples para quem a vive na 1ª pessoa e também não é simples para quem a vive na 3ª pessoa, pois em qualquer das posições existem danos colaterais, mas estes seres em crescimento são os que estão mais expostos e menos preparados.

Muitas famílias se queixam de dificuldades na comunicação, de entendimento, de diferenças tão grandes entre cada um dos membros, que complica qualquer diálogo.

Mas para podermos estar em posição de perceber o que se passa temos inevitavelmente que ouvir a problemática dos jovens, temos que descortinar os seus pensamentos, que os orientar nesse seu mundo interno e temos que os guiar para que não sucumbam ao mundo externo.

Digo-vos, não é pêra doce, mas é de uma riqueza inestimável.

O adulto frequentemente se esquece de como foi ser adolescente, muitos até querem esquecer esse período da vida, tal não foi o reboliço que causou, mas é importante que o lembremos, que o tragamos para o presente, para mais facilmente nos elucidar dos comportamentos que os adolescentes assumem.

Primeiro que tudo importa perceber o quão diferentes os jovens podem ser, apesar de por vezes parecerem tão iguais, um “rebanho” como outro dia alguém os apelidou. Em segundo, que a cada dia passam por provas complexas, tão complexas, que escapam ao olhar mais desatento.

O que por vezes parece tão simples para o comum dos mortais adultos, ou até para outro qualquer jovem, que se sinta adaptado, seguro e confiante, para aquele que  sente que todos os dias é posto à prova, que todos os dias mergulha em angústias, que todos os dias sente níveis de ansiedade dilacerantes, o simples acto de ter que se dirigir a um estranho, olhá-lo nos olhos e falar, é uma tarefa árdua, extremamente árdua.

Estes jovens vivem amargurados, incompreendidos e sentem-se sempre prestes a explodir.

Normalmente são apelidados de mal educados, os pais sentem vergonha porque quando chegam ao pé dos seus amigos não falam, não olham, e naturalmente estes pensarão o que os amigos estarão a achar da educação que lhes estão a dar, mas se aprofundarmos mais estas questões, perceberemos que muitos jovens sentem uma ansiedade tão grande, que este exercício tão simples, é uma verdadeira prova de “vida”, e não, não são mal educados, sentem-se ou estão desadaptados, e isto é grave, muito grave.

Jovens que se sentem distantes de tudo e de todos, jovens que não se sentem seguros em lado nenhum, que não gostam de dar nas vistas (o que não é de todo mau), mas quando para eles o dar nas vistas é ter que falar, isso sim, é grave.

Isto mostra o sofrimento em que estes jovens estão…

Links e Recursos

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Professor

Aqui pode encontrar todos o links e recursos para identificar e compreender comportamentos que possam indicar as vítimas e agressores de bullying.

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